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Ícone Mariano

O QUE É UM ÍCONE MARIANO?
O quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro constitui um admirável ícone oriental. Com termos de origem grega (“eikón”), que significa imagem, pintura ou quadro. Trata-se de uma pintura sagrada, feita em madeira, segundo técnicas e tradições seculares. Os ícones podem representar Jesus Cristo, a Virgem Maria, os Anjos ou os Santos. Obedecem a normas bem precisas sob o ponto de vista artístico e teológico.

Possuem como fundamento a encarnação do Verbo de Deus. A encarnação é o mistério cristão básico no qual a Igreja reconhece que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se fez homem no seio da Virgem Santíssima por obra do Espírito Santo (Mt 1, 18-25;Lc 1, 26-38). Encarnando-se, o Filho de Deus tornou-se visível (Jô 1, 1-17; 6, 1-6). O ícone procura representar esse Deus divino e humano.

O ícone é uma espécie de sacramental, um sinal da graça, um auxílio para a vida espiritual dos cristãos. Assim como Jesus Cristo, Aquele que assume a história humana e torna-se a revelação concreta da Palavra de Deus, é a imagem de Deus invisível (Cl 1, 15; Heb 1,3), o ícone é a imagem artística e religiosa do Transcendente e Invisível, levando à oração e à meditação aqueles que o contemplam. 

O SIGNIFICADO DO ÍCONE 

No quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a Virgem Maria foi representada a meio corpo, segurando o Menino Jesus nos braços. Nele, tudo tem significado: as cores, as legendas, as atitudes e até os detalhes. Tem caracteres gregos com a abreviatura dos nomes das quatro figuras presentes, a Mãe de Deus, seu divinoFilho e os arcanjos Gabriel Miguel, que mostram os instrumentos da Paixão de Cristo: a cana com esponja, a lança, os cravos e a cruz.

O menino, assustado pela visão, lança-se nos braços da Mãe. A angústia de Jesus não é demonstrada pela expressão e sim, por suas atitudes. Ele agarra-se à mão que a Mãe lhe estende para confortá-lo e, no movimento, deixa escorregar a sandália do pé direito.

Os olhos de Maria, cheios de compaixão e ternura , voltam-se para quem a contempla, pronta para socorrê-los e ampara-los em qualquer momento, apelando para os homens evitarem o pecado, causa da morte de Jesus. A cor de ouro do fundo da pintura evoca valores permanentes, dando à moldura um caráter de eternidade. 

IDADE DO QUADRO DE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO 

Os estudiosos pesquisaram a origem do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e levantaram três hipóteses possíveis. Uma parte dos estudiosos defende a idéia de que o quadro veio de Constantinopla, no século X, quando os monges de São Basílio vieram reevangelizar a ilha de Creta, que é pequena ilha do Mar Egeu, ao sul da Grécia.

Outra parte afirma que o quadro foi pintado na própria ilha de Creta. Teria sido composto no século X ou XI, época de grande produção de ícones como meio de evangelização, depois dos bizantinos apoderarem da ilha e após mais de um século em domínio dos muçulmanos.

Existem também estudiosos que falam que o quadro foi pintando na ilha de Creta, no século XIV ou início do século XV, em momento de grande esplendor artístico, e num período em que esse lugar, desde 1204, estava sob domínio dos Venezianos. Para reanimar a fé cristã, serviam-se igualmente da pregação e dos ícones. Houve uma grande produção e divulgação dos ícones, dando origem ao estilo artístico véneto-cretense. 

QUEM PINTOU O QUADRO 

O pintor do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é desconhecido por nós. Não existe nenhuma assinatura do autor na pintura deste ícone mariano.
Em boa parte, os pintores de ícones são anônimos. Sabemos pouco sobre os pintores da obra iconográfica. Entre os poucos artistas conhecidos que pintaram ícones da Virgem da Paixão, os historiadores da arte sacra destacam André Rizo de Candia (1422-1499), da escola cretense.
De acordo com vários estudiosos, o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro pertence a escola cretense. Pelos estudos atuais, ainda não podemos estabelecer com exatidão a data de sua confecção. Todavia, podemos afirmar, com bastante probabilidade, que seu autor era um monge de Creta ou de regiões vizinhas.

Na história da arte sagrada da Igreja, os iconógrafos, que eram aqueles que pintavam os ícones, ocuparam um lugar especial. Eram artistas piedosos, homens que estavam ligados à vida de fé e à tradição religiosa da comunidade cristã. Sempre compunham suas obras num clima de penitência e oração. O iconógrafo pintava o que era fruto da vida espiritual da comunidade.

Os iconógrafos, monges em geral, meditavam as verdades da fé e procuravam representar, em suas pinturas, o resultado de sua experiência religiosa. Deste modo, eles compartilhavam sua inspiração cristã com a comunidade eclesial.

Dentro desta situação iconográfica, o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro deve ser concebido como fruto da oração. Trata-se de um ícone para ser meditado. Quando os devotos se colocam em atitude de oração diante dele, podem aprofundar o mistério e a verdade de fé que o quadro representa e descobrir melhor o seu valor espiritual. O seu autor o idealizou para ser contemplado e ajudar na meditação de todos aqueles que se aproximam deste ícone mariano. 

ROTEIRO DE ESTUDO MARIANO 

Para estudar e aprofundar o tema, sugerimos os seguintes livros:

1. Pe. Eugênio Antônio Bisinoto. Quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: um dos ícones mais conhecidos. Coleção “Cadernos Marianos”, Aparecida, Ed. Santuário e Academia Marial, 2004.

2. Pe. Antônio Schneider. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: história, culto e devoção. Aparecida, Ed. Santuário, 1991

3. DICIONÁRIO MARIANO. Porto, Ed. Perpétuo Socorro, 1988 (Distribuído no Brasil pela Editora Santuário)

4. Pe. Ronaldo Pelaquin. Historia de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro em Pinturas. Aparecida, Ed. Santuário, 2002